Resposta rápida
O Ministério da Saúde ampliou quem pode se vacinar contra o HPV. Hoje, a vacina é oferecida pelo SUS para:
- meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única;
- jovens de 15 a 19 anos que nunca se vacinaram, em campanha de resgate que termina em 31 de dezembro de 2026;
- mulheres de qualquer idade que trataram lesões de alto grau no colo do útero, com prescrição médica;
- crianças a partir de 2 anos que sofreram violência sexual (novidade de setembro de 2026);
- grupos especiais, como pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes com câncer e usuários de PrEP.
Caso clínico ilustrativo
Marina, 34 anos, fez o exame preventivo e recebeu o resultado de uma lesão de alto grau no colo do útero. Passou por uma pequena cirurgia para retirar a área alterada e o tratamento correu bem. Na consulta de retorno, ela fez a pergunta que muita gente faz: "Eu já tive o problema. Ainda adianta tomar a vacina do HPV?"
Até pouco tempo, a resposta no SUS dependia da idade. Agora, a orientação nacional mudou: mulheres nessa situação podem ser vacinadas em qualquer idade. Marina saiu da consulta com a prescrição em mãos e com o calendário das três doses combinado com a equipe.
Os dados e o caso clínico citados neste artigo são fictícios e têm fim meramente ilustrativo, servindo para facilitar a compreensão do tema abordado.
O que mudou na vacina do HPV em 2026
O HPV é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato sexual. Ele está ligado a vários tipos de câncer, como os de colo do útero, vulva, pênis, ânus, boca e garganta. No Brasil, o câncer do colo do útero ainda causa cerca de 17 mil novos casos e 7 mil mortes por ano, segundo o INCA.
Em 2026, o Ministério da Saúde fez três movimentos importantes.
1. Resgate de jovens de 15 a 19 anos foi prorrogado
A campanha de resgate valeria até junho, mas foi estendida até 31 de dezembro de 2026. Ela vale para quem nunca tomou a vacina na idade indicada. Até junho, quase 288 mil jovens dessa faixa já tinham sido vacinados, e a meta é passar de 600 mil.
2. Mulheres tratadas por lesões de alto grau entraram no público-alvo
Em março, uma nota técnica do Ministério incluiu a vacina como estratégia de prevenção depois do tratamento. Veja como funciona:
- Quem: mulheres tratadas por lesões de alto grau no colo do útero (NIC 2 ou mais) ou adenocarcinoma in situ, com retirada da área alterada (conização ou LEEP)
- Idade: sem limite
- Esquema: três doses (0, 2 e 6 meses)
- Quando: de preferência no mesmo ano do procedimento, ao redor da cirurgia ou em até 12 meses depois
- Onde: unidades do SUS, com prescrição médica
O motivo é que o risco de a lesão voltar existe, podendo chegar a 17% segundo a nota técnica. Além disso, procedimentos repetidos no colo do útero podem trazer complicações, inclusive em futuras gestações.
3. Crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual
Em setembro, uma nova nota técnica baixou a idade de indicação para vítimas de violência sexual, que antes era de 9 a 45 anos. A decisão considera o aumento dos registros nesse público: entre crianças de 0 a 4 anos, os casos passaram de 1.671 para 7.845 em dez anos.
Atenção: isso não significa que a vacina passou a ser de rotina aos 2 anos. A rotina continua sendo de 9 a 14 anos. A indicação mais cedo vale apenas para crianças vítimas de violência sexual, e a vacina deve ser aplicada o mais rápido possível após o primeiro atendimento de saúde.
Quem pode se vacinar hoje: resumo
- 9 a 14 anos (meninas e meninos): calendário de rotina, dose única
- 15 a 19 anos sem vacina: resgate até 31/12/2026, dose única
- Vítimas de violência sexual: a partir de 2 anos
- Mulheres tratadas por lesão de alto grau: qualquer idade, com prescrição
- Grupos especiais: pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, usuários de PrEP (15 a 45 anos) e pessoas com papilomatose respiratória recorrente
O que a ciência diz
Dose única funciona?
Estudos mostram que sim. Segundo o PubMed, um ensaio clínico no Quênia com jovens de 15 a 20 anos encontrou eficácia de 97,5% de uma dose única contra infecção persistente pelos tipos 16 e 18 . Na Índia, o acompanhamento por 10 anos mostrou proteção de 95,4% com dose única, semelhante à de duas ou três doses .
Vacinar depois do tratamento reduz o risco de a lesão voltar?
Uma revisão de 2026 reuniu 17 estudos com mais de 33 mil mulheres. A vacinação foi associada a uma redução de 62% na recorrência de lesões de alto grau, sem novos sinais de segurança. Uma revisão de 2020 já tinha apontado redução semelhante.
Há uma ressalva honesta: uma revisão de 2022 observou que, nos estudos de melhor qualidade, o efeito não foi estatisticamente significativo, e pediu ensaios maiores. Por isso, a vacina entra como complemento do cuidado, e não como substituta do acompanhamento.
Perguntas frequentes
Tenho mais de 19 anos e nunca me vacinei. Posso tomar no SUS?
Em geral, só se você se encaixar em um dos grupos especiais citados acima. Fora deles, a vacina pode estar disponível em clínicas privadas. Converse com seu médico para avaliar.
A vacina substitui o exame preventivo?
Não. A vacina protege contra os tipos de HPV que ela cobre, mas o exame preventivo continua necessário. Mulheres que tratam lesões também devem manter o acompanhamento médico normalmente.
Já tive HPV. Ainda vale a pena vacinar?
Sim, pode valer. Os estudos sugerem que o principal efeito da vacina é impedir novas infecções e reinfecções, e não eliminar o vírus que já está no organismo. A indicação deve ser avaliada com seu médico.
Vacinei meu filho aos 10 anos. Preciso reforçar?
No calendário atual, a dose única aos 9 a 14 anos é o esquema previsto. Leve a caderneta à unidade de saúde para conferir.
Crianças de 2 anos devem tomar a vacina?
Não, como rotina. A indicação nessa idade vale somente para vítimas de violência sexual. Se houver suspeita de violência contra uma criança, procure imediatamente uma unidade de saúde e acione o Disque 100.
A vacina é segura?
Sim. O Ministério da Saúde a considera segura, e as revisões científicas recentes não identificaram novos sinais de segurança.
Conclusão
A vacina do HPV agora alcança mais pessoas: jovens de 15 a 19 anos que perderam a idade ideal, mulheres que já trataram lesões no colo do útero e crianças em situação de violência. Para os jovens, existe um prazo: a campanha de resgate acaba em 31 de dezembro de 2026. Se você ou alguém da sua família se encaixa em algum desses grupos, procure uma unidade de saúde ou converse com seu médico.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico. Cada caso deve ser analisado individualmente por um profissional de saúde.
Fontes
- Ministério da Saúde. Ministério da Saúde amplia até dezembro resgate vacinal contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos. Junho de 2026.
- Ministério da Saúde. Jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra o HPV até dezembro. Julho de 2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 32/2026, CGICI/DPNI/SVSA/MS (mulheres tratadas por NIC 2+ e AIS). Resumo em Estratégia MED. Março de 2026.
- Ministério da Saúde. Nota técnica sobre vacinação contra HPV em crianças vítimas de violência sexual a partir de 2 anos, setembro de 2026. Resumo em Idest e Agência BVS.
- Maiorano MFP et al. Impact of HPV vaccine on CIN2+ recurrence after conization. Front Oncol, 2026. DOI
- Jentschke M et al. Prophylactic HPV vaccination after conization. Vaccine, 2020. DOI
- Eriksen DO et al. HPV vaccination in women undergoing excisional treatment for CIN. Acta Obstet Gynecol Scand, 2022. DOI
- Barnabas RV et al. Efficacy of single-dose HPV vaccination among young African women. NEJM Evidence, 2022. DOI
- Basu P et al. Vaccine efficacy against persistent HPV 16/18 infection at 10 years after one, two, and three doses. Lancet Oncol, 2021. DOI
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