Dona Marta, 58 anos, virou-se na cama de madrugada para trocar de lado e, de repente, teve a sensação de que o quarto estava girando ao seu redor. Durou uns 20, 30 segundos, tempo suficiente para ela se agarrar ao lençol com medo de cair da cama. Quando ficou parada, tudo voltou ao normal. No dia seguinte, o mesmo aconteceu ao se abaixar para calçar o sapato. Preocupada, ela procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico de Vertigem Posicional Paroxística Benigna, uma das causas mais comuns de tontura no consultório.
"Os dados e o caso clínico citados neste artigo são fictícios e têm fim meramente ilustrativo, servindo para facilitar a compreensão do tema abordado."
O que é a Vertigem Posicional Paroxística Benigna?
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna, conhecida pela sigla VPPB, é a causa mais frequente de vertigem na população em geral. É comum ouvir essa condição sendo chamada popularmente de "labirintite", mas os dois termos não são sinônimos: labirintite é uma inflamação do labirinto, geralmente ligada a infecções, enquanto a VPPB tem uma origem mecânica, sem inflamação envolvida. Outros nomes usados para a mesma condição são vertigem postural benigna e vertigem de posicionamento.
Por que ela acontece?
Dentro do ouvido interno existem pequenos cristais de carbonato de cálcio, chamados otocônias, que normalmente ficam presos em uma estrutura chamada utrículo e ajudam o corpo a perceber a posição da cabeça. Por diversos motivos, esses cristais podem se soltar e migrar para dentro dos canais semicirculares, estruturas responsáveis por informar ao cérebro os movimentos de rotação da cabeça. Quando a pessoa muda de posição, os cristais deslocados se movem dentro do canal e enviam ao cérebro um sinal de movimento que não corresponde à realidade, gerando a sensação de vertigem. O canal posterior é o mais afetado, respondendo pela grande maioria dos casos.
Quais os sintomas?
- Sensação de que o ambiente está girando (vertigem rotatória), e não apenas uma tontura vaga
- Crises curtas, geralmente com menos de um minuto de duração
- Náusea, às vezes acompanhada de vômito
- Sensação de desequilíbrio que pode persistir por um curto período após a crise passar
- Ausência de zumbido ou perda auditiva, o que ajuda a diferenciar a VPPB de outras causas de tontura
- Entre as crises, a pessoa costuma se sentir bem
Como ela se apresenta
Uma característica marcante da VPPB é o padrão das crises: elas surgem sempre associadas a uma mudança de posição da cabeça, nunca de forma espontânea e contínua. Costuma haver um pequeno intervalo de poucos segundos entre o movimento da cabeça e o início da vertigem, e a intensidade tende a diminuir quando a mesma posição é repetida várias vezes seguidas. Esse conjunto de características é justamente o que o médico avalia durante o exame físico, por meio de manobras específicas que reproduzem a posição desencadeante e permitem observar o movimento dos olhos (nistagmo) característico de cada canal envolvido.
Fatores de risco
- Idade mais avançada, sendo mais comum a partir dos 50 e 60 anos
- Sexo feminino, que parece ser afetado com mais frequência
- Histórico de traumatismo craniano
- Períodos prolongados de repouso no leito
- Histórico prévio de outras condições do ouvido interno, como labirintite ou neurite vestibular
- Enxaqueca, especialmente a enxaqueca vestibular
- Em boa parte dos casos, não é possível identificar uma causa específica
O que piora os sintomas
- Movimentos bruscos da cabeça
- Virar-se na cama
- Olhar para cima, como ao pegar algo em uma prateleira alta
- Abaixar-se e depois se levantar rapidamente
- Levantar-se de forma súbita após estar deitado
- Noites maldormidas e cansaço excessivo, que parecem baixar o limiar para as crises
O que ajuda a melhorar
O tratamento da VPPB não depende de remédio para "curar" a condição, e sim de manobras de reposicionamento realizadas por um profissional treinado, que reconduzem os cristais deslocados de volta à posição original dentro do ouvido interno. A manobra de Epley é a mais utilizada para o canal posterior, e outras técnicas são empregadas conforme o canal envolvido. Na maioria dos casos, a melhora é sentida já na primeira sessão.
Outros pontos que ajudam:
- Realizar as manobras de reposicionamento com um profissional habilitado
- Exercícios de habituação vestibular em casa, quando orientados, para os casos que persistem
- Evitar temporariamente as posições que costumam desencadear a crise enquanto o tratamento não é concluído
- Movimentar a cabeça de forma mais lenta e deliberada durante a fase aguda
- Em crises muito intensas, medicações para controlar a náusea e o mal-estar podem ser usadas por curtos períodos, sempre com orientação médica, já que não tratam a causa
Vale lembrar que a VPPB tem tendência a recidivar, ou seja, mesmo depois de resolvida, uma nova crise pode surgir meses ou anos depois. Por isso, identificar rapidamente o padrão dos sintomas facilita buscar ajuda e resolver o quadro com agilidade.
Aviso importante: este conteúdo tem caráter educativo e informativo, não substituindo consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado. A vertigem tem diversas causas possíveis, e uma avaliação presencial ou por telemedicina é essencial para confirmar o diagnóstico e definir a conduta adequada para cada pessoa.
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