Resposta rápida

A herpes zóster, popularmente chamada de cobreiro, é causada pela reativação do vírus da catapora, que fica adormecido no corpo depois da infecção inicial. A vacina reduz de forma importante o risco de desenvolver a doença e suas complicações, especialmente a dor crônica que pode ficar depois das lesões de pele. Ela é indicada a partir dos 50 anos ou, antecipadamente, para pessoas com mais de 18 anos e sistema imunológico comprometido. Hoje, no Brasil, essa vacina está disponível principalmente na rede particular; pelo SUS, o acesso ainda é restrito a situações específicas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Caso clínico ilustrativo

Dona Mara, 68 anos, hipertensa controlada, procurou atendimento depois de notar uma faixa de bolhas avermelhadas de um lado só do tronco, acompanhada de uma dor em queimação que começou dias antes das lesões aparecerem. Ela contou que teve catapora na infância e nunca havia tido problemas parecidos. Após o diagnóstico de herpes zóster, iniciou tratamento precoce, o que ajudou a reduzir o risco de dor persistente. Na consulta seguinte, foi orientada sobre a vacina para prevenir novos episódios.

Os dados e o caso clínico citados neste artigo são fictícios e têm fim meramente ilustrativo, servindo para facilitar a compreensão do tema abordado.

O que é a herpes zóster

A herpes zóster é causada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Depois que uma pessoa tem catapora, geralmente na infância, o vírus não desaparece do organismo. Ele fica guardado, em estado inativo, dentro de estruturas nervosas chamadas gânglios sensitivos, que ficam próximos à coluna vertebral.

Em algum momento da vida, esse vírus pode "acordar" e se multiplicar novamente. Quando isso acontece, ele percorre o trajeto de um nervo até a pele, causando a erupção característica da herpes zóster, conhecida popularmente como cobreiro.

Como acontece a contração da doença

Diferente de muitas doenças infecciosas, a herpes zóster não é algo que se "pega" de outra pessoa da forma tradicional. Ela surge da reativação de um vírus que já está dentro do próprio corpo desde a infecção original pela catapora, ou, mais raramente, desde a aplicação da vacina de vírus vivo contra a catapora.

Por isso, o mecanismo central da doença é a reativação viral, e não um novo contágio. Ainda assim, é importante saber que uma pessoa com herpes zóster ativa pode transmitir o vírus varicela-zóster para quem nunca teve catapora e nunca foi vacinado contra ela. Nesses casos, a pessoa exposta pode desenvolver catapora, e não herpes zóster diretamente. Essa transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com o líquido das bolhas, sendo pouco provável quando as lesões estão cobertas.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam a chance de o vírus se reativar e causar a doença:

  • Idade acima de 50 anos, já que a imunidade natural contra o vírus tende a enfraquecer com o tempo
  • Doenças que comprometem o sistema imunológico, como HIV/aids e alguns tipos de câncer
  • Uso de medicamentos imunossupressores, incluindo corticoides em doses altas ou por tempo prolongado
  • Transplante de órgãos ou de células-tronco
  • Doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que também podem estar associadas a maior vulnerabilidade
  • Períodos de estresse físico ou emocional intenso

Sintomas e sinais de alerta

A herpes zóster costuma seguir um padrão bem característico. Antes de qualquer lesão aparecer, muitas pessoas sentem dor, ardência, formigamento ou coceira em uma área específica da pele, geralmente de um lado só do corpo. Alguns dias depois, surgem as bolhas avermelhadas, que seguem o trajeto de um único nervo, chamado dermátomo. Febre, mal-estar e dor de cabeça também podem acompanhar o quadro.

Complicações da herpes zóster

A herpes zóster pode causar complicações que se tornam mais frequentes e mais graves à medida que a idade avança:

  • Neuralgia pós-herpética, uma dor crônica e intensa que persiste mesmo depois de as lesões de pele cicatrizarem, podendo durar meses ou anos
  • Infecções bacterianas secundárias nas lesões
  • Comprometimento ocular, quando as lesões atingem a região próxima aos olhos, com risco de sequelas visuais
  • Complicações neurológicas, em casos mais raros
  • Em situações excepcionais, especialmente em pessoas muito debilitadas, a doença pode levar a desfechos graves, incluindo óbito

Prevenção

A principal forma de prevenção da herpes zóster e de suas complicações é a vacinação. Além dela, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de transmissão do vírus para pessoas suscetíveis à catapora:

  • Manter as lesões cobertas enquanto estiverem ativas
  • Lavar bem as mãos após tocar na região afetada
  • Evitar contato direto com o líquido das bolhas, principalmente com gestantes não imunes, recém-nascidos e pessoas imunocomprometidas

A vacina contra a herpes zóster

A vacina disponível atualmente no Brasil é do tipo recombinante inativada. Isso significa que ela não contém o vírus vivo, mas sim um fragmento dele, a glicoproteína E, combinado a uma substância chamada adjuvante, que potencializa a resposta do sistema imunológico contra o vírus.

Por não conter vírus vivo, essa vacina é considerada segura inclusive para pessoas imunocomprometidas, um diferencial importante em relação à vacina mais antiga, de vírus atenuado, que já foi descontinuada no país.

Esquema vacinal

A vacina é aplicada por via intramuscular, em duas doses, com intervalo padrão de dois meses entre elas. Esse intervalo pode ser ajustado conforme orientação médica, especialmente em pessoas imunocomprometidas, para quem é recomendado completar o esquema antes do início de tratamentos que reduzem a imunidade, sempre que possível.

Eficácia

Nos estudos que embasaram a aprovação da vacina, a proteção contra a doença ficou acima de 90%, mantendo-se elevada mesmo em pessoas com mais de 70 anos, o que é considerado um resultado expressivo para essa faixa etária.

Quem deve tomar

A vacina é indicada para dois grupos principais:

  • Adultos a partir dos 50 anos, faixa em que o risco de reativação do vírus aumenta de forma natural
  • Adultos a partir dos 18 anos com risco aumentado da doença, incluindo pessoas com imunossupressão por câncer, HIV, uso de medicamentos imunossupressores ou outras condições que comprometam o sistema de defesa do corpo

Mesmo quem já teve um episódio de herpes zóster pode se beneficiar da vacinação, já que ela ajuda a prevenir novas ocorrências.

Contraindicações

A vacina não deve ser aplicada em pessoas com histórico de reação alérgica grave a doses anteriores ou a algum componente da fórmula. Também é recomendado adiar a vacinação durante episódios ativos de herpes zóster, durante doenças moderadas a graves em curso, e na gestação, quando a aplicação costuma ser postergada até depois do parto.

Efeitos colaterais possíveis

Como a vacina estimula uma resposta imunológica forte, é comum haver reações temporárias que duram de dois a três dias, como dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de sintomas como cansaço e dor de cabeça em algumas pessoas.

A importância da vacinação

Vacinar-se contra a herpes zóster vai além de evitar as lesões de pele. O principal ganho está na prevenção da neuralgia pós-herpética, uma das complicações mais debilitantes da doença, capaz de comprometer significativamente a qualidade de vida por longos períodos. Em pessoas imunocomprometidas, a vacinação também reduz o risco de formas mais graves da doença, em um momento em que o organismo já está mais vulnerável.

Quem pode se vacinar pelo SUS

Atualmente, a vacina contra a herpes zóster não faz parte do calendário nacional de vacinação de rotina oferecido pelo SUS. A vacina está disponível principalmente na rede particular, mediante prescrição médica.

Pelo SUS, o acesso é restrito e ocorre apenas em situações específicas, por meio dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), voltados a determinados grupos de pacientes gravemente imunocomprometidos. Para ter acesso pelo CRIE, costuma ser necessário apresentar documentação como prescrição médica com a indicação clínica, relatório atualizado do quadro de saúde e histórico vacinal, que serão avaliados caso a caso pela equipe do centro.

Vale destacar que há discussões em andamento no Congresso Nacional sobre incluir essa vacina de forma mais ampla no calendário do SUS, tanto para pessoas a partir de 50 anos quanto para maiores de 18 anos com comprometimento imunológico. Até o momento, porém, essa ampliação depende de avaliação técnica e de decisão final do Ministério da Saúde, e ainda não está em vigor. Por isso, é sempre importante confirmar a situação atual com um profissional de saúde ou nos canais oficiais do SUS.

Perguntas frequentes

A herpes zóster pode aparecer mais de uma vez?

Sim. Apesar de ser menos comum do que um único episódio, é possível ter mais de um episódio de herpes zóster ao longo da vida, principalmente em pessoas com fatores de risco persistentes, como imunossupressão.

Quem já teve catapora precisa se preocupar com herpes zóster?

Sim. Qualquer pessoa que já teve catapora carrega o vírus varicela-zóster de forma latente no organismo e, portanto, tem risco de desenvolver herpes zóster ao longo da vida, especialmente com o avanço da idade ou em situações de queda da imunidade.

A vacina serve para tratar a herpes zóster já instalada?

Não. A vacina tem finalidade preventiva. Quando a doença já está ativa, o tratamento é feito com outras estratégias, definidas pelo médico responsável, geralmente iniciadas o quanto antes para reduzir sintomas e o risco de complicações.

Grávidas podem tomar a vacina contra herpes zóster?

A recomendação geral é adiar a vacinação durante a gestação. A decisão sobre o momento ideal para vacinar deve ser feita em conjunto com o médico que acompanha o pré-natal.

É possível transmitir herpes zóster para outras pessoas?

O vírus pode ser transmitido pelo contato direto com o líquido das lesões, mas quem se contamina desenvolve catapora, e não herpes zóster diretamente, desde que nunca tenha tido a doença ou sido vacinado contra ela.

Conclusão

A herpes zóster é uma doença que resulta da reativação de um vírus que muitas pessoas já carregam desde a infância, e seu impacto pode ir muito além das lesões na pele, especialmente quando causa dor crônica. A vacinação é a ferramenta mais eficaz para reduzir esse risco, sendo indicada a partir dos 50 anos ou antes disso para quem tem o sistema imunológico comprometido. Como o acesso pelo SUS ainda é limitado a situações específicas, vale conversar com um médico sobre a melhor forma de se proteger, seja pela rede particular, seja avaliando a elegibilidade para os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico. Cada caso deve ser analisado individualmente por um profissional de saúde.

Os dados citados neste artigo têm como base o Ministério da Saúde, notícias oficiais do Senado Federal, sociedades médicas de imunização e literatura científica atualizada, podendo sofrer variações conforme novas evidências e mudanças em políticas públicas de saúde.

Este conteúdo é de titularidade exclusiva da Dra. Rebeca Soares Andrade e está protegido pela Lei nº 9.610/98 e Art. 20 do Código Civil. É expressamente proibida a reprodução, download, edição ou republicação deste material em outros canais sem autorização prévia por escrito. Compartilhamentos são permitidos exclusivamente através das ferramentas nativas desta plataforma.