O que são vitaminas e por que elas importam?
Vitaminas são micronutrientes essenciais para o funcionamento do nosso organismo. Participam de processos como a produção de energia, o funcionamento do sistema imunológico, a formação de células e o equilíbrio neurológico e hormonal
Elas são divididas em:
Hidrossolúveis: complexo B e vitamina C
Lipossolúveis: A, D, E e K
Essa diferença muda completamente o comportamento delas no corpo e também o risco associado.
Quando o uso de vitaminas faz sentido?
A suplementação tem indicação clara em alguns cenários:
1. Deficiência comprovada
Diagnóstico por exame laboratorial
Exemplo: deficiência de vitamina D, B12, ferro
2. Situações fisiológicas específicas
Gestação (ex: ácido fólico)
Idosos (maior risco de deficiência de B12 e vitamina D)
Lactação
3. Condições clínicas
Doenças que causam má absorção intestinal
Cirurgias bariátricas
Dietas restritivas (ex: veganismo sem planejamento → risco de deficiência de B12)
4. Uso estratégico orientado
Atletas ou indivíduos com alta demanda metabólica, com acompanhamento profissional
Fora desses contextos, o uso tende a ter pouco ou nenhum benefício comprovado.
Quando evitar o uso indiscriminado?
Suplementar sem indicação pode gerar dois problemas principais:
1. Falsa sensação de segurança
A pessoa acredita que está “compensando” hábitos inadequados com vitaminas, o que na realidade não acontece.
2. Risco de excesso
Principalmente com vitaminas lipossolúveis, que se acumulam no organismo.
Quais são os riscos do uso inadequado?
Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K)
Têm maior potencial de toxicidade.
Vitamina A: pode causar toxicidade hepática, alterações neurológicas e risco teratogênico
Vitamina D: em excesso → hipercalcemia, que pode levar a:
náuseas
vômitos
confusão mental
arritmias
lesão renal
Vitamina E: aumento do risco de sangramento
Vitamina K: pode interferir com anticoagulantes
Vitaminas hidrossolúveis (complexo B e C)
O excesso geralmente é eliminado na urina, mas não significa ausência de risco.
Altas doses de vitamina C → desconforto gastrointestinal, risco de cálculo renal
Excesso de vitamina B6 → pode causar neuropatia periférica
“Vitaminas deixam o xixi caro?” O que isso significa na prática?
Essa expressão popular tem fundamento.
Quando uma pessoa ingere vitaminas hidrossolúveis além da necessidade:
o corpo absorve o que precisa
o excesso é eliminado pela urina
Ou seja, parte do suplemento simplesmente não é utilizada, com isso, é literalmente descartada.
Além disso:
a urina pode ficar mais amarela (especialmente com vitaminas do complexo B, como a riboflavina)
isso não significa benefício extra, e sim, apenas excreção do excesso
Na prática: você paga por algo que o corpo não aproveita.
Existe benefício em usar vitaminas “por prevenção”?
Essa é uma das maiores dúvidas e exige cuidado.
Em pessoas saudáveis, com alimentação equilibrada não há evidência consistente de que suplementação rotineira reduza mortalidade ou previna doenças crônicas
Exceções existem, mas são específicas e devem ser individualizadas.
Estratégia mais inteligente
Antes de iniciar qualquer vitamina, o raciocínio mais seguro é:
Avaliar sintomas e contexto clínico
Investigar com exames quando necessário
Corrigir primeiro a base que é a alimentação, o sono e a exposição solar (quando aplicável). Suplementar de forma direcionada, com dose e tempo definidos
Conclusão
Vitaminas são essenciais, mas isso não significa que mais é melhor.
Existe uma diferença importante entre:
corrigir uma deficiência
e usar suplementação sem indicação
A primeira melhora desfechos clínicos.
A segunda pode ser apenas custo ou risco.
A decisão de suplementar deve ser clínica, individualizada e baseada em evidência.
Dra. Rebeca Soares Andrade. CRM- GO 39335