O que é o TDAH na prática?
De forma simples, o TDAH não é “falta de disciplina” ou “preguiça”.
É uma condição neurológica em que o cérebro tem dificuldade em:
manter o foco por muito tempo
controlar impulsos
organizar tarefas e rotina
Essas dificuldades são persistentes e interferem na vida da pessoa.
Principais sintomas
Os sintomas do TDAH se dividem em três grupos:
1. Desatenção
dificuldade de concentração
esquecer compromissos
perder objetos com frequência
dificuldade em terminar tarefas
2. Hiperatividade
inquietação constante
dificuldade de ficar parado
falar excessivamente
3. Impulsividade
agir sem pensar
interromper conversas
dificuldade de esperar
Existem três formas principais do transtorno:
Predominantemente desatento
Predominantemente hiperativo/impulsivo
Tipo combinado
Atualizações importantes (2024–2026)
As diretrizes mais recentes, incluindo o DSM-5-TR e o CID-11, trouxeram pontos importantes:
O TDAH é confirmado como um transtorno do neurodesenvolvimento, com base biológica bem estabelecida
Os critérios diagnósticos continuam baseados em sintomas de desatenção e hiperatividade/impulsividade, com necessidade de impacto funcional
Houve maior alinhamento entre sistemas diagnósticos (DSM-5-TR e CID-11), embora com pequenas diferenças na forma de classificar sintomas
Cresceu o reconhecimento de que adultos também podem ter TDAH, inclusive com diagnóstico tardio
Abordagens modernas reforçam a importância de tratamento multidisciplinar, não apenas medicamentoso
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, ou seja, feito por avaliação médica especializada.
Para confirmar TDAH, geralmente é necessário:
sintomas presentes por pelo menos 6 meses
início antes dos 12 anos
impacto em mais de um ambiente (ex: casa e trabalho/escola)
prejuízo real no funcionamento da vida
Não existe exame de sangue ou imagem que confirme o diagnóstico.
TDAH em adultos: por que cresce tanto o diagnóstico?
Hoje se sabe que o TDAH não desaparece na adolescência.
Em adultos, ele pode aparecer como:
dificuldade de organização
procrastinação
impulsividade financeira ou emocional
dificuldade em manter rotina
instabilidade profissional ou acadêmica
Muitos adultos só percebem o problema depois de anos de dificuldade, o que explica o aumento dos diagnósticos tardios.
Tratamento: o que realmente funciona
O tratamento do TDAH é individualizado e pode incluir:
1. Medicamentos
Estimulantes (primeira linha de tratamento)
São os mais utilizados e com maior evidência científica.
Exemplos:
Metilfenidato (conhecido por nomes comerciais como Ritalina e Concerta)
Lisdexanfetamina (ex: Venvanse)
Como funcionam:
Aumentam a disponibilidade de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, melhorando foco e controle.
Não estimulantes
Usados quando há contraindicação, efeitos colaterais ou necessidade específica.
Exemplos:
Atomoxetina
Bupropiona (uso off-label em alguns casos)
Clonidina
Guanfacina
Esses medicamentos só devem ser usados com prescrição médica. A automedicação pode trazer riscos.
2. Terapia
terapia cognitivo-comportamental
estratégias de organização e rotina
3. Mudanças no estilo de vida
sono adequado
atividade física
redução de distrações
O tratamento não “cura” o TDAH, mas melhora muito a qualidade de vida.
Impactos do TDAH quando não tratado
Sem acompanhamento, o TDAH pode levar a:
baixo rendimento escolar ou profissional
dificuldade em relacionamentos
baixa autoestima
maior risco de ansiedade, depressão e uso de substâncias
Conclusão
O TDAH é uma condição real, comum e tratável.
Com diagnóstico correto e acompanhamento adequado, a pessoa pode ter uma vida completamente funcional e produtiva.
Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. A leitura deste material não substitui uma consulta médica. Para diagnóstico e tratamento adequados, procure um profissional de saúde qualificado.
Dra. Rebeca Soares Andrade CRM-GO 39335