Quando se fala em emagrecimento, o primeiro impulso costuma ser cortar o açúcar: especialmente o consumo excessivo de refrigerantes, sobremesas, doces e bebidas adoçadas. Mas será que isso, por si só, é suficiente para quem está com sobrepeso ou obesidade? Antes de tudo, é essencial entender como o açúcar atua no organismo e qual é, de fato, a sua influência no desenvolvimento do sobrepeso e da obesidade.

Quando falamos sobre o açúcar, é importante tirar a ideia de que ele é apenas “vilão” ou “inofensivo”. Na prática, ele atua como fonte de energia e o problema está muito mais na forma, na quantidade e na frequência do consumo do que no açúcar isoladamente.

O que acontece quando você consome açúcar?
Quando você ingere açúcar (principalmente os de absorção rápida, como refrigerantes, doces e alimentos ultraprocessados), ele é rapidamente transformado em glicose no sangue.

Essa glicose aumenta de forma rápida no nosso organismo que chamamos de “pico glicêmico”.

E o que o corpo faz com isso?
O organismo precisa controlar essa glicose. Então o pâncreas libera um hormônio chamado insulina. A insulina tem uma função muito clara: Colocar a glicose para dentro das células, para ser usada como energia.

E quando tem açúcar demais?
Quando esse processo acontece de forma repetida (muito açúcar, muitas vezes ao dia), o corpo começa a lidar com excesso de energia.E aí acontecem três coisas importantes:

Primeiro, parte dessa glicose vira estoque de energia imediata (glicogênio) e quando esse estoque está cheio, o excesso passa a ser convertido em gordura e esse acúmulo contribui diretamente para ganho de peso

O impacto hormonal e no apetite
O açúcar não mexe só com energia, ele mexe com comportamento alimentar. Quando se tem picos rápidos de glicose, seguidos de quedas rápidas, eles geram: Mais fome, desejo por mais açúcar e sensação de “ciclo vicioso”, ou seja: quanto mais você consome, mais você tende a querer consumir. E no longo prazo o consumo excessivo e frequente pode levar a alterações importantes, como:

Resistência à insulina (o corpo para de responder bem à insulina)

Maior risco de desenvolvimento de Diabetes tipo 2

Aumento do acúmulo de gordura, principalmente abdominal

Maior risco cardiovascular

O açúcar é o problema principal?
O açúcar facilita o excesso calórico (e isso é o principal)

O padrão alimentar de comer açúcar com frequência aumentada, associada ao contexto metabólico da pessoa, favorece o armazenamento de gordura, causa desregulação hormonal e aumenta o risco de doenças metabólicas.

O ganho de peso acontece quando há um consumo de calorias maior do que o gasto.

E o açúcar tem duas características que favorecem isso que é altamente palatável (quanto mais você consome, mais você quer) e está presente em muitos alimentos de forma “invisível”.

O açúcar não causa obesidade isoladamente.
Mas ele facilita o consumo excessivo de calorias, favorece o acúmulo de gordura, desregula fome e saciedade e contribui para alterações metabólicas.

E, por isso, aumenta significativamente o risco de sobrepeso e obesidade, então a associação de atividade física regular, sono adequado e uma boa alimentação é a melhor escolha pensando em um emagrecimento saudável.

Dra. Rebeca Soares Andrade CRM - GO 39335