Falar sobre câncer de próstata ainda é cercado por dúvidas, medo e, muitas vezes, silêncio. Mas, na prática, o maior problema não é a doença em si é o atraso no diagnóstico por falta de informação ou por evitar o assunto.

Baseando-me no que orientam o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde, o Instituto Nacional de Câncer e a Sociedade Brasileira de Urologia, existe um ponto que precisa ser claro: prevenção não começa com exame começa com a decisão de se cuidar.

Por que o câncer de próstata é silencioso no início?

Na maioria dos casos, o câncer de próstata não causa sintomas nas fases iniciais. Isso significa que muitos homens convivem com a doença sem perceber.

E esse é o ponto crítico: quando os sintomas aparecem, geralmente o quadro já está mais avançado.

Quais são os sinais e sintomas mais comuns?

Quando presentes, os sintomas costumam estar relacionados ao trato urinário:

  • Dificuldade para iniciar ou manter o jato urinário

  • Jato fraco ou interrompido

  • Aumento da frequência urinária, especialmente à noite

  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga

  • Presença de sangue na urina ou no sêmen

Em estágios mais avançados, podem surgir:

  • Dor óssea

  • Perda de peso inexplicada

  • Fadiga persistente

Um ponto estratégico: esses sintomas não são exclusivos do câncer e podem estar relacionados a condições benignas. Mas ignorá-los é um erro.

Existe forma de prevenir o câncer de próstata?

Aqui é importante ajustar a expectativa.

Não existe uma forma de prevenir completamente o câncer de próstata. O que existe é redução de risco e, principalmente, diagnóstico precoce.

Algumas medidas têm impacto:

  • Alimentação equilibrada

  • Prática regular de atividade física

  • Controle de peso

  • Evitar tabagismo

Essas estratégias não eliminam o risco, mas reduzem a probabilidade de várias doenças crônicas, incluindo alguns tipos de câncer.

Quem tem mais risco?

Os principais fatores de risco são:

  • Idade (principalmente após os 50 anos)

  • Histórico familiar de câncer de próstata

  • Homens negros (maior risco e formas mais agressivas)

Esse grupo merece atenção ainda mais individualizada.

Com que idade começar a prevenção?

Esse é um dos pontos mais discutidos e aqui vale análise crítica.

O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam rastreamento populacional em massa para homens sem sintomas, justamente pelo risco de sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários.

Já a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda:

  • A partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco

  • A partir dos 45 anos para homens com maior risco

Na prática, isso não é uma contradição é sim, uma diferença de estratégia.

O ponto central é: a decisão deve ser individualizada, após conversa com um profissional de saúde.

Como funciona a prevenção dentro do SUS?

No Sistema Único de Saúde, o cuidado começa na atenção primária.

O fluxo é simples:

  1. Avaliação clínica

  2. Identificação de fatores de risco

  3. Discussão sobre necessidade de exames (como PSA e toque retal)

  4. Encaminhamento para especialista, se necessário

Ou seja: o sistema oferece o caminho, mas depende da iniciativa do paciente em procurar atendimento.

Se eu tivesse que resumir de forma direta: o maior problema do câncer de próstata não é a falta de exame. É a falta de decisão informada.

Falar sobre o tema, entender riscos e procurar avaliação no momento certo muda completamente o desfecho.

Ignorar, adiar ou tratar como tabu, ainda custa caro.

Dra. Rebeca Soares Andrade CRM-GO 39335