O que acontece no corpo?

A anafilaxia ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a uma substância que, para a maioria das pessoas, seria inofensiva.

Essa substância é chamada de alérgeno, que pode ser:

  • Alimentos (como amendoim, frutos do mar, leite)

  • Medicamentos

  • Picadas de insetos

  • Látex

Ao entrar em contato com o alérgeno, o organismo ativa células do sistema imune (principalmente mastócitos e basófilos), liberando substâncias inflamatórias como a histamina.

Essa liberação em larga escala desencadeia três efeitos principais:

1. Vasodilatação intensa

Os vasos sanguíneos se dilatam rapidamente, causando queda da pressão arterial e isso pode evoluir para choque.

2. Aumento da permeabilidade vascular

O líquido sai dos vasos e vai para os tecidos, onde surgem inchaços como nos lábios, pálpebras e garganta.

3. Broncoconstrição

As vias aéreas se contraem e a pessoa pode ter dificuldade para respirar.

Por que é tão perigosa?

O risco da anafilaxia está na velocidade.

Os sintomas podem começar em minutos e evoluir rapidamente para:

  • Falta de ar importante

  • Queda da pressão arterial

  • Perda de consciência

  • Parada cardiorrespiratória

Sem tratamento imediato, o desfecho pode ser fatal.

Quais são os sinais de alerta?

Nem sempre começa de forma dramática. Alguns sinais iniciais podem ser sutis:

  • Coceira na pele ou urticária

  • Sensação de calor ou formigamento

  • Inchaço em lábios, língua ou rosto

  • Aperto na garganta

  • Tosse ou chiado no peito

  • Náuseas, vômitos ou diarreia

  • Tontura ou sensação de desmaio

Um ponto importante é o envolvimento de mais de um sistema ao mesmo tempo é um forte indicativo de anafilaxia.

O tratamento: o tempo é decisivo

O tratamento de primeira linha é a adrenalina intramuscular. Ela atua rapidamente:

  • Reverte a queda de pressão

  • Diminui o inchaço

  • Relaxa as vias aéreas

Outros medicamentos (como anti-histamínicos e corticoides) podem ser usados como suporte, mas não substituem a adrenalina.

Onde muitos erros acontecem

Aqui está um ponto crítico na prática:

  • Subestimar sintomas iniciais

  • Atrasar o uso de adrenalina

  • Tratar apenas com antialérgicos.

Essas decisões aumentam o risco de piora rápida.

Anafilaxia não é o momento de “observar para ver se melhora”.

Existe prevenção?

Sim, mas ela depende de identificação correta do gatilho.

Pacientes com histórico de anafilaxia devem:

  • Evitar rigorosamente o alérgeno

  • Carregar adrenalina autoinjetável (quando indicado)

  • Ter um plano de ação claro

O ponto que quase ninguém fala

A anafilaxia não é apenas uma reação alérgica intensa ela é uma falha de regulação do sistema imunológico com impacto sistêmico imediato. E o que define o desfecho não é só a gravidade da reação, mas a rapidez com que ela é reconhecida e tratada.

Em resumo

  • É uma reação alérgica grave e sistêmica

  • Evolui rapidamente e pode ser fatal

  • Afeta múltiplos sistemas do corpo

  • A adrenalina é o tratamento principal

  • Tempo de resposta salva vidas

Dra. Rebeca Soares Andrade CRM -GO 39335